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Ansiedade e Angústia: Entenda as Diferenças e Como Lidar

  • eloanalitico
  • 5 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

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Você já se sentiu ansioso ou angustiado e ficou em dúvida sobre o que realmente estava sentindo? Embora esses termos sejam usados como sinônimos na linguagem cotidiana, a psicanálise mostra que eles têm significados diferentes e compreender essa diferença pode ajudar a lidar melhor com nossas emoções.


O que é Ansiedade?


Freud, em sua obra, diferenciou a ansiedade (Angst) do medo (Furcht). Segundo ele, a ansiedade é como um sinal de alerta do nosso corpo e mente. Ela aparece quando sentimos que algo pode nos ameaçar, mesmo que não saibamos exatamente o quê. Freud dizia: “O medo pressupõe um objeto, enquanto a ansiedade é uma condição sem objeto definido.” Ou seja, enquanto o medo tem uma causa clara (como medo de altura ou de falar em público), a ansiedade é mais difusa, difícil de identificar.

O psicanalista brasileiro Christian Dunker explica que a ansiedade surge quando sentimos que podemos perder algo importante para nossa identidade, como um papel social, um relacionamento ou até mesmo uma ideia sobre quem somos.


Na clínica psicanalítica, a ansiedade pode ser compreendida como um sinal de alerta do ego diante de situações que ameaçam romper o equilíbrio psíquico. Ela pode indicar conflitos inconscientes, desejos reprimidos ou situações de mudança que exigem uma reorganização interna.

A ansiedade, nesse sentido, pode ser vista como um mecanismo de defesa, uma tentativa do psiquismo de evitar o desprazer e manter a integridade do sujeito. No entanto, quando excessiva, pode paralisar, gerar sofrimento e dificultar a vida cotidiana.


E a Angústia, o que é?


A angústia, para a psicanálise, é um sentimento ainda mais profundo. Jacques Lacan, outro grande nome do saber psicanalítico, dizia que “a angústia não é sem objeto, mas é o objeto a, aquilo que escapa à simbolização.” afirma que a angústia é um afeto fundamental, sinal de que algo do desejo do sujeito está em jogo. Para Lacan, a angústia não engana: ela surge quando o sujeito se depara com a falta, com o vazio do desejo, e com a impossibilidade de encontrar garantias no Outro. Isso significa que a angústia aparece quando nos deparamos com algo que não conseguimos explicar ou entender, um vazio ou uma falta que não sabemos como preencher.


A psicanalista Colette Soler complementa: “A angústia é o afeto que marca o encontro do sujeito com o real do desejo, com aquilo que não pode ser plenamente simbolizado.” Em outras palavras, a angústia surge quando nos deparamos com perguntas sem resposta sobre nós mesmos e sobre o que realmente queremos.


Portanto, para a psicanálise, a angustia está ligada à experiência da falta, do vazio, do não saber. Ela aparece quando o sujeito entra em contato com o que não pode controlar, com o que não pode ser s nomeado. É um afeto que aponta para a singularidade do desejo de cada um.




Exemplos do Cotidiano


  • Ansiedade: Você sente um aperto no peito antes de uma entrevista de emprego, mesmo sem saber exatamente do que tem medo.

  • Angústia: Você sente um vazio ou uma inquietação persistente, mesmo quando tudo parece estar bem na sua vida, e não consegue explicar o motivo.


Como a clinica Psicanalítica pode ajudar?


A psicanálise possibilita uma compreensão profunda sobre a ansiedade e a angústia, diferenciando-as e apontando caminhos para o trabalho clínico. Oferece um espaço de escuta e reflexão para que seja possível entender melhor tais sentimento. O ato de falar livremente, pode facilitar o reconhecimento destes afetos e o encontro com novas formas de lidar com eles e construir um percurso mais saudável para o bem-estar emocional.

Na clínica, trabalhar a angústias e ansiedades é possibilitar que o sujeito possa dar um sentido ao seu sofrimento, encontrar palavras para nomina-los , e assim, construir novas formas de lidar com o desejo e com a falta.

Referências

  • Freud, S. (1926). Inibições, Sintomas e Ansiedade. Obras Completas.

  • Lacan, J. (1962-1963). O Seminário, Livro 10: A Angústia.

  • Dunker, C. I. L. (2015). Mal-estar, sofrimento e sintoma: uma psicopatologia do Brasil entre muros. São Paulo: Editora Boitempo.

  • Soler, C. (2016). O que Lacan dizia das mulheres. Rio de Janeiro: Zahar.




 
 

Glaucia Rogge CRP- 12/04043

©2023 por Glaucia Rogge Psicologia. 

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