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E QUANDO O TRABALHO ADOECE?

  • eloanalitico
  • 1 de dez. de 2023
  • 4 min de leitura

O adoecimento mental devido as relações de trabalho, por vezes, podem ocorrer de maneira sutil, dando sinais que ignoramos ou tratamos como “normais”, banalizado os sintomas. Com isso é comum a busca de saídas que trazem uma ilusão da satisfação ou alívio de stress, como por exemplo, o uso exacerbado álcool ou outras drogas, abuso alimentar, acesso

intenso e contínuo a redes sociais ou jogos eletrônicos, enfim, subterfúgios que trazem uma falsa sensação de desligamento, relaxamento.

De fato, ao usar destes dispositivos a pessoa se convence que está fazendo algo por ela e para ela, porém a sensação de bem estar é breve e momentânea e a longo prazo, pode ser bastante nociva a saúde levando a depressão e outros transtornos mentais afetando também a saúde física, pois são estratégias imediatas que não alcançam a profundidade do problema.



Estudos comprovam que “Os transtornos mentais são agravos de saúde altamente prevalentes na sociedade atual. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), transtornos mentais como depressão, abuso de álcool, transtorno bipolar e esquizofrenia se encontram entre as 20 principais causas de incapacidade. A OMS estima que atualmente a depressão afeta cerca de 350 milhões de pessoas, sendo que a taxa de prevalência na maioria dos países varia entre 8% e 12%. É a principal causa de incapacitação dos indivíduos no mundo quando se considera o total de anos perdidos (8,3% dos anos para homens e 13,4% para mulheres) e a terceira principal causa da carga global de doenças em 2004. A previsão é de que subirá ao primeiro lugar até 2030.

Santos e Siqueira analisaram estudos sobre a prevalência de transtornos mentais na população adulta brasileira e verificaram que as taxas variam de 20 a 56%. Os transtornos mais prevalentes indicados nos estudos são os de ansiedade, de humor, os somatoformes e o abuso de álcool”. (Fonte: https://doi.org/10.1590/0103-11042018S414)

Considerando dado mais atualizados, o Relatório Mundial de Saúde Mental da OMS, publicado em junho de 2022, mostrou que de um bilhão de pessoas que viviam com algum transtorno mental em 2019, 15 % dos adultos em idade ativa sofreram um transtorno mental. Portanto, o adoecimento no mundo do trabalho evidencia questões sociais mais amplas que afetam negativamente a saúde mental, incluindo discriminação e desigualdade. O bullying e a violência psicológica (também conhecidos como "mobbing") são as principais queixas de assédio no local de trabalho que têm um impacto negativo na saúde mental. No entanto, discutir ou divulgar a saúde mental continua sendo um tabu nos meios de trabalho em todo o mundo.


Considerando tais dados é importante refletir que em nossa cultura, o trabalho é parte fundante do sujeito, fomos programados para existir através do trabalho e da construção de carreira profissional. E, a projeção a esta imagem de trabalhador é tão intrínseca ao ser humano que o trabalho passa a ser visto não apenas como uma fonte de renda, mas também um espaço de realização, identificação e reconhecimento social.

Na sociedade contemporânea ele toma uma proporção de “full time” (expressão em inglês que significa o tempo todo), mantendo os indivíduos sempre ligados e produzindo, sem perceber que, neste ritmo podem estar expostos a fatores que contribuem para o adoecimento nas relações de trabalho. Dentre os quais destacamos: a competitividade, a cobrança por produtividade, a falta de autonomia, a violência moral, o assédio, a discriminação, a falta de sentido, a perda de identidade, a desvalorização, o isolamento, o medo, a angústia, a culpa, a frustração, entre outros.

Portanto, é possível consideras que para a vida mental, esta é uma equação que resulta na alienação do sujeito, impedindo-o de buscar uma vida com mais qualidade, e como já mencionado, aumentando o risco de adoecimento.


Podemos sugerir então que, para uma prevenção se torna cada vez mais imprescindível ficar sempre atendo ao seu próprio comportamento no cotidiano de vida e além disso, é importante observar se a instituição a qual você esta vinculado profissionalmente respeita seus direitos trabalhistas; cumpri normas de segurança a saúde do trabalhador; proporcionar um clima organizacional positivo, baseado na confiança, cooperação, comunicação, reconhecimento e na valorização dos trabalhadores; estimula a participação dos trabalhadores nas decisões e nos processos de trabalho, respeitando sua autonomia, sua criatividade e sua diversidade; promove capacitações e a qualificação dos colaboradores, oferecendo oportunidades de aprendizagem, de atualização e de crescimento profissional; implementa programas de promoção da saúde e da qualidade de vida no trabalho, que abordem aspectos físicos, psicológicos, sociais e culturais; e se realiza ações de prevenção e de intervenção em situações de violência, assédio, discriminação, conflito ou estresse no trabalho, garantindo o acolhimento, a orientação e a proteção dos trabalhadores envolvidos.

Qualquer uma destas ações são consideradas preventivas ao adoecimento mental no mundo do trabalho e atualmente tornam-se necessárias e devem ficar claras ao profissional deste o primeiro momento de sua contratação.

Outra ação de fundamental importância é que, ao perceber que suas relações pessoais estão empobrecidas e não passam dos colegas de trabalho, que seu ânimo para novas experiencias está praticamente inexistente ou que tem abusado de substâncias em busca de “relaxamento”, entre outros sintomas, está na hora de buscar ajuda profissional de psicólogos, psicanalistas e dependendo dos casos, até psiquiatras. Tais abordagens visam compreender

os aspectos psíquicos envolvidos neste adoecimento e cada uma delas tem técnicas que podem auxiliar os sujeitos a reencontrar formas de melhorar seu processo de vida. A psicanálise, por exemplo, se propõe a facilitar ao sujeito a elaboração de suas questões emocionais e vivências traumáticas através da fala. O analista se propõe a oferecer uma escuta qualificada dando ao trabalhador a possibilidade reconhecer e expressar seus sentimentos, pensamentos e desejos, e fazer com que o sujeito intérprete e compreenda os significados e as causas do seu sofrimento, ampliando sua condição de ressignificação de suas experiências. Este tratamento auxilia a indivíduo a conhecer mais de si e com isso encontrar e reencontrar dispositivos internos para lidar de forma mais criativa com as situações do trabalho e da vida. Reconhecendo seu desejo enquanto sujeito de fala, o indivíduo amplia a sua condição de restaurar seu equilíbrio psíquico e a promover a sua saúde e o seu bem-estar.




 
 

Glaucia Rogge CRP- 12/04043

©2023 por Glaucia Rogge Psicologia. 

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